Compared to What? um guia de campo
Sobre o autor

Por que passei anos documentando incidentes cripto

Não é uma biografia. É uma explicação.

Eu não me propus a escrever um livro. Me propus a responder uma pergunta particular: quanto do que eu lia sobre perdas em cripto era verdade?

Trabalhei em bancos, em cibersegurança e em engenharia de IA — três salas com três vistas muito diferentes do mesmo dinheiro. O que as três tinham em comum era isto: as afirmações mais barulhentas, em todas as direções, vinham com a menor evidência. A cripto era o futuro de tudo ou golpe até o fundo, dependendo de quem era pago para dizer. Ninguém, em nenhuma das multidões, mostrava a própria aritmética.

Então comecei a manter um catálogo. Um incidente por vez: o que aconteceu, o que exatamente falhou, para onde foi o dinheiro, com uma fonte para cada afirmação. O catálogo virou o OnChainAttack — uma classificação pública e gratuita com mais de 650 incidentes cripto documentados desde 2010, construída do jeito que pesquisadores de segurança classificam ataques a redes de computadores. É aberto, é citado, e continuará gratuito.

Em algum ponto depois do incidente número seiscentos, percebi que tinha parado de me surpreender. O golpe do suporte da corretora era o golpe do suporte do banco, palavra por palavra. A corretora que era uma planilha era a boiler room, um século depois. A carteira de hardware falsificada era o chupa-cabra do caixa eletrônico. Trilho novo, crime velho — e no trilho velho, o mesmo crime costumava ser mais difícil de enxergar.

Essa observação não me largava, porque eu sabia exatamente quem precisava dela: a pessoa parada à porta da cripto, com medo, ainda decidindo se entra. De um lado, influenciadores vendendo a vida cool. Do outro, manchetes anunciando que tudo é roubo. As duas multidões têm algo a vender. Ninguém honesto falava com a pessoa que só queria saber quanto medo ter, e de quê.

Então o livro faz a única pergunta em que confio: comparado com o quê? Não «a cripto é perigosa?» — claro que é. Perigosa comparada com o quê, medida como, conferida contra quais registros públicos. Cada número de peso do livro está no índice de verificação. Se algum não fechar, diga — as correções são publicadas, com crédito.

Não vendo custódia, hardware, moedas nem cursos. A pesquisa é o ponto. O livro é como a pesquisa fica quando vira história.

DMYTRO CHYSTIAKOV